Da liberdade à culpa: de Erich Fromm a Paul Ricoeur

Erich Fromm, eminente pensador moderno, investigou em sua obra O medo à liberdade, os "caros preços pagos" pelo ser humano por ele querer ser livre. Dialeticamente, o autor dividiu a vontade humana de ser livre em "liberdade para" e "liberdade de". Fromm utiliza o mito...

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Bibliographic Details
Authors: Rosa, Sandro Santos da (Author) ; Nicaretta, Andréia (Author)
Format: Electronic Article
Language:Portuguese
Check availability: HBZ Gateway
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Published: 2013
In: Protestantismo em Revista
Year: 2013, Volume: 32, Issue: 1, Pages: 38-47
Further subjects:B Paul Ricoeur
B Erich Fromm
B Culpa
B Liberdade
Online Access: Volltext (kostenfrei)
Description
Summary:Erich Fromm, eminente pensador moderno, investigou em sua obra O medo à liberdade, os "caros preços pagos" pelo ser humano por ele querer ser livre. Dialeticamente, o autor dividiu a vontade humana de ser livre em "liberdade para" e "liberdade de". Fromm utiliza o mito bíblico, referente à expulsão do ser humano do paraíso, para alegoricamente representar e identificar a origem da história humana e sua relação com o ato de escolher, ressaltando a natureza pecaminosa deste primeiro ato de liberdade, sofrimento-culpa daí resultante. É na representação da liberdade e na consequente culpa decorrente da afronta humana a Deus, ambas oferecidas pelo mito bíblico, que se encontram Fromm e o filósofo Paul Ricoeur. O último, por intermédio da obra Filosofia da vontade, utiliza o mito referido como centro para entender a origem do mal e da culpa, buscando na linguagem, os símbolos que representam a culpa inerente ao ser humano. Conclui-se, preeminentemente, que a liberdade que leva o ser humano a "algum lugar", necessariamente provém da saída de "outro lugar". Para que possamos "vir a ser" sujeitos livres, temos, necessariamente, de sair do lugar mais aconchegante do universo: o ventre materno. Não obstante, em níveis distintos, o ser humano carrega a "culpa" de um dia, assediado pela liberdade, ter sido seduzido por ela, de maneira que, por aceitá-la, carrega sempre consigo a sensação de que algo poderia ter sido diferente e, outrossim, de que algo ficou para trás. Ademais, olhar para trás não é tão óbvio quanto olhar para frente.
ISSN:1678-6408
Contains:Enthalten in: Protestantismo em Revista